No princípio, muito antes do Reino Encantado do Ó ser realmente encantado, haviam trevas de tamanha densidade que faziam até o nosso onipotente Boss esquecer de pagar as contas de luz.
Nessa época remota as noites duravam dias, cinco para ser mais exata. Durante aquelas longas noites a nossa adorável caverna era habitada por seres selvagens: as estagiárias ancestrais. Estas eram de uma alto nível selvático: ou se comiam no tapa, ou se comiam no sentido sexual da palavra.
Elas tinham gritos e urros estridentes de guerra ao acordarem - "Amanheceu... é hora de voar." -, de caçada fotográfica - "Como vou deixar você se eu te amo?" - e esbravejavam verdadeiras lutas por comida - "Porra esse Toddynho é meu!" -.
Os dias que tinham dia eram utilizados para nosso adestramento...ops... treinamento. E só eram realmente claros quando todas as quatro estagiárias civilizadas apareciam(o que era quase um milagre).
Mas quando eu, a sofrida estagiária de número um, comecei a saga de meus doze trabalhos, já iniciava-se uma tentiva de abrandar todo este caos: eram as Leis Sagradas e Implacáveis do nosso oniciente Boss.
A primeira destas leis foi: "Fecharás sempre a caverna ao entrar ou sair.". Esta lei era muito bem recatada e obedecida pela nossa, até hoje selvagem, Australopithecus Dona Fandagos, mas apenas quando era de ser interesse... digo, instinto.
Como já era de se esperar, fui a primeira a sofrer as consequências desta temida lei...
Era uma quentíssima segunda-feira, depois de sete dias incansáveis de caçada fotográfica, sem tempo e nem muito menos folgar para poder pegar ao menos em um papiro e estudar. Depois de muito lamentar pelo meu cansaço físico, me dei conta que era o último dia de entrega de um papiro de Língua Portuguesa I que valia três coroas de louros. Sem nem pensar duas vezes implorei ao nosso onipresente Boss a dádiva do dia de folga para poder terminar meus afazeres junto à civilização e fui surpreendida com uma mensagem clara: "Pode ir jovem!". (Vale salientar que a pedra dos dez mandamentos ainda não havia sido concebida.)
Depois de organizar todas as minhas anotações feitas à pena, preparei-me para ir de encontro com a civilização e seu banco de conhecimento(também conhecido como lan house). Mas quando tento sair da caverna vejo que a primeira lei sagrada se cumprira pela primeira vez e me dou conta que não tinha as ferramentas tecnológicas necessárias para poder abrir as portas do meu ainda não-encantado lar.
Estava eu, presa em uma caverna escura que me impedia de alcançar o conhecimento que já sabia que existia e tanto almejava. (Qualquer semelhança com Platão é mera coincidência.)
Tentei de tudo, até sinal de fumaça para sair dalí, mas de nada adiantou. Só fui atendida ao ouvir as portas da civilização serem fechadas e ver todo o meu conhecimento(e praticamente toda minha chance de passar em Língua Portuguesa I) se esvair.
Neste momento, todo meu lado selvagem e bruto veio à tona, mas fui forçada a ficar calada ao ouvir o urro e as ameaças da nossa obediente Australopithecus Dona Fandango: "Porra! Caralho! Não reclama! São órdens supremas!".
E depois ainda me perguntam porque sofro...
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kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
ResponderExcluirÓ, Grande e Primeira Sofredora! Nos ensinaste os caminhos para a trascendência paciental. Já estávamos preparadas por ti quando a nossa vez de sofrer chegou(e passou, amém!). hauhsuhsuhauhsuhush
Pena que a sua vez não para de chegar. uhsuahuhushuahsu
Sem dúvida essa sua experimentação daria um estudo sociológico sobre o comportamento obsessivo pós adestramento praiano moderno.
ResponderExcluirO comportamento animalesco, inclusive, foi apresentado por Fome Zero e Criança Esperança, com variações de intensidade, mas ainda assim, animalescos! huiehuiehuiehuie